sábado, outubro 28, 2006

Areia...

Vamos passear?
Que tal correr pela praia deserta?
Está frio. O frio leva as pessoas para longe da praia.
Podemos sentar na areia e conversar.
Podemos falar de banalidades.
Podemos discutir.
Podemos estar.
Podemos, nem sem bem o quê?
Onde ficamos da ultima vez?
Ah sim, a ligação!
Se fosse tu, preferia uma sem assinatura obrigatória...

Aquele dia!

Ainda te recordas daquele dia?
Aquele dia em que viste o oceano no fundo dos meus olhos? Disseste que não compreendias como o oceano lá cabia, mas estava lá!
Lembras-te?
Não? Estou confusa?
Ah sim, é verdade, esse dia ainda não aconteceu!

sexta-feira, outubro 27, 2006

Excesso

- de flores;
- de cores
- de letras;
- de fuga;
- de nada;
- de sozinho outra vez;
- de ti.

E mesmo assim...

Não acredito que não haja outro lado...

Sim.

Sim foi hoje.
Hoje percebi tudo!
A hora.
O local.
Até o porquê da mudança da hora no domingo.
Não, não estou louca.
Ainda consigo ler claramente as palavras que as paredes não mostram.
E, com um bocado de esforço ainda as oiço murmurar sobre os motivos das coisas.
Banalidades.
Mas, tambem não é necessário perceber tudo, posso ficar só pelo essencial, pelo que é humanamente aceitável, e deixar o resto para os seres iluminados.
Aqueles que te entendem!

sexta-feira, outubro 13, 2006

sms, mms. gprs, abs

Arlequim... Esquece lá isso, ok?

Não... por partes...

-Ainda não entendi o que querias dizer hoje de manhã. Pareceu-me um bocado surreal.
-Talvez não entendas bem o meu ponto de vista- disse ele enquanto fixava o bolor que aparecia no tecto.
-Não sei... Achas que devo voltar? Afinal não me disseram que a porta estava fechada. Mas por outro lado, depois daquele tempo todo não houve progresso, porque é que agora iria haver?
O bolor do tecto aumentava de interesse à medida que a conversa avançava.
- Não sabes... talvez agora as partes... Já reparaste que o bolor do tecto está a fazer uma estranha dança?
-Dança, não, não estou a ver dança nenhuma.
E os olhos dela olharam o fundo dos olhos dele, verdes, muito verdes, tão verdes que neles o bolor não dançava, nadava.
Ela procurava lá outra coisa, mas encontrou bolor... apenas bolor, mas por partes.

sábado, outubro 07, 2006

Será?

Álvaro de Campos

Ah, um Soneto...

Meu coração é um almirante louco
que abandonou a profissão do mar
e que a vai relembrando pouco a pouco
em casa a passear, a passear ...

No movimento (eu mesmo me desloco
nesta cadeira, só de o imaginar)
o mar abandonado fica em foco
nos músculos cansados de parar.



Há saudades nas pernas e nos braços.
Há saudades no cérebro por fora.
Há grandes raivas feitas de cansaços.


Mas — esta é boa! — era do coração
que eu falava... e onde diabo estou eu agora
com almirante em vez de sensação? ...