sexta-feira, outubro 13, 2006

Não... por partes...

-Ainda não entendi o que querias dizer hoje de manhã. Pareceu-me um bocado surreal.
-Talvez não entendas bem o meu ponto de vista- disse ele enquanto fixava o bolor que aparecia no tecto.
-Não sei... Achas que devo voltar? Afinal não me disseram que a porta estava fechada. Mas por outro lado, depois daquele tempo todo não houve progresso, porque é que agora iria haver?
O bolor do tecto aumentava de interesse à medida que a conversa avançava.
- Não sabes... talvez agora as partes... Já reparaste que o bolor do tecto está a fazer uma estranha dança?
-Dança, não, não estou a ver dança nenhuma.
E os olhos dela olharam o fundo dos olhos dele, verdes, muito verdes, tão verdes que neles o bolor não dançava, nadava.
Ela procurava lá outra coisa, mas encontrou bolor... apenas bolor, mas por partes.