sábado, junho 21, 2008

Ponte de Wheatstone

De um momento para o outro, enquanto estava sentada, tentando resolver os problemas do pequeno universo onde entrou há uma eternidade, e de onde nunca mais saiu, sentiu o seu espaço invadido por uma enormidade de vozes não conhecidas.
O universo não respeita o meu espaço, pensou enquanto se escondia o melhor possivel no unico sitio que ainda lhe oferecia segurança.
Pouco a pouco, com o coração acelerado, decidiu escrever, mas, ao olhar para lapis, verificou que este tinha a ponta gasta...
Oh que merda pensou... logo agora que podia por para fora tudo o que sinto, o raio do lapis está sem bico.
Bem... acho que os sentimentos vão ter de ficar guardados mais umas horas... só espero que não demore tanto tempo para sair deste canto, como demora para sair deste problema.

quinta-feira, junho 05, 2008

Recomeçar

Sentou-se na secretaria, olhou em volta, papeis espalhados ao acaso por cima das recordações de tantos anos.
Chegou a hora de arrumar ideias, pensou.
Devagar, respeitando as camadas de ferrugem que lhe cobriam as articulações dos dedos e da alma, iniciou a aventura das palavras, da ordenação de pensamentos, da tão complicada pontuação...
Do respeito ortografico!
A ferrugem dos dedos começou a soltar-se, sem rumo, e, como o vento que refresca no dia quente de verão afastando o sufoco que o calor deixa na respiração, a ferrugem tapou a desarrumação da secretaria, deixando apenas a desorganização de pensamentos...
E esses, não se arrumam com facilidade.