quinta-feira, maio 03, 2007

O post que não quer ser publicado

Estava um belissimo dia cinzento.
Sim, parece que sempre que decido visitar-te, o dia faz questão de acinzentar.
Qualquer dia, adivinhas o dia em que faço a mala e sigo rumo a ti só pela cor do dia.
Já cheguei a pensar que és tu que pintas o dia de cinzento só para ganhar vontade de partir.
Mas não.
Seja como for, peguei na pequena mala na qual pus apenas algumas recordações e o tal segredo não contado.
Revi pela ultima vez, depois de mais de mil gestos iguais, se o bilhete de comboio estava no bolso.
Cá está. Mesmo ao lado de tudo aquilo que te quero dizer.
O relogio olha para mim acelerando a ansiedade de ver novamente o cais de chegada.
Tudo é novidade neste viagem.
Chego seriamente a pensar que desta vez, o dia vai mudar, ensolarar, e tu não vais lá estar.
Olha, rimei!
Sabes o que se diz sobre as rimas...
Pela primeira vez em mil viagens secretas, acho que não vais lá estar.
Já dentro do comboio reparo que está a chover.
Timidamente sentes o teu sonho inundado pela chuva.
Vejo-me sorrir por entre os pingos da chuva.`
Como se desta vez fosse a ultima.
Entrego-te o segredo que já não é meu.
Regressas para dentro do meu livro, e o meu livro para dentro da mala.
E a mala?
A mala espera pelo proximo dia cinzento, desejando secretamente que o segredo do teu regresso seja revelado.